A Eleição 2008 para diretor do Centro de Artes

Um relato em 12 dias sobre o dia que quase ninguém viu: a eleição no Centro de Artes.

Por Lívia Cunha
liviacfc@gmail.com

Foi em um dia quente e ensolarado a terça-feira, 29 de abril, que o futuro da diretoria do Centro de Artes da Ufes foi decidido. Nesse dia aconteceu um dos processos mais importantes do Centro, a eleição para novo diretor e vice-diretor. Entretanto, como havia apenas uma chapa na disputa, não se conseguiu mobilizar muitos membros da comunidade acadêmica. A própria candidata a diretoria, a professora de Arquitetura e Urbanismo Cristina Engel, reconheceu dias antes do dia de votação que “se tivesse tido uma outra chapa, seria mais rico o processo”.

O fato é que, mesmo com o aparente desconhecimento de grande parte dos estudantes, para Rosane Zanotti, professora de Comunicação Social e membro da Comissão Eleitoral, “a eleição foi positiva. O percentual de comparecimento foi o esperado”. Marco Romanelli, professor da Arquitetura e também membro da Comissão Eleitoral, disse que aproximadamente 50% dos professores votaram, quase 100% dos técnicos administrativos e 5% dos estudantes. “Só o comparecimento de estudantes que ficou abaixo do esperado, que era de 10%”, explicou ele.

De tal forma, Cristina Engel e seu vice, o professor e chefe de departamento do curso de Comunicação Social Fábio Malini, venceram com mais de 80% dos votos válidos.

Pouco debate e apatia

Mas nem todos festejaram. O professor André Abe da Arquitetura não considera essa eleição tão positiva assim. O fato de ter sido uma disputa (ou a ausência dela) de chapa única, para ele, “é reflexo da apatia. Essa falta de interesse [de não ter outros candidatos] é reflexo da apatia da universidade, é uma omissão consciente”. O aluno do 7° período de Arquitetura e Urbanismo Henrique Guimarães reforça tal afirmativa do professor, ao questoionar: “cadê a campanha eleitoral?”. Isso porque ele disse desconhecer o andamento do processo e os candidatos. A chapa inscrita assumiu a falha nesse sentido, “nós estamos fazendo algumas reuniões e conversas, mas acho que quem reclama de não ter uma campanha forte tem razão”, declarou Cristina Engel.

Os meandros do processo eleitoral envolveram pouca divulgação (e a que existia se resumia a folhas A4 brancas com texto impresso em preto coladas discretamente pelos prédios do Centro). E os candidatos, há seis dias das eleições ainda não haviam circulado suas propostas de trabalho. “Nossos folderes atrasaram” explicou Cristina.

Gestão com planejamento, espera Cristina

Mesmo conturbada, a campanha eleitoral continuou. E na terça-feira 22 de abril, exatamente uma semana antes do dia da eleição, a professora Cristina Engel se reuniu com a reportagem do Universo Ufes no laboratório de vídeo da Comunicação para uma entrevista e explicou o projeto de governo da chapa [confira a entrevista na íntegra].

Um dos temas abordados foi o futuro prédio de laboratório de audiovisual e multimídia, o popularmente conhecido como Bob Esponja [confira matéria completa sobre o assunto]. Quando que aquele prédio vai sair?, perguntamos. Cristina Engel responde de forma evasiva: “quando se mexe com dinheiro público é preciso ter muita cautela. Às vezes as pessoas não entendem, o que podem achar que é uma morosidade do serviço público. O serviço público tem um cuidado muito grande com a forma que se gasta o dinheiro público. Esse cuidado significa às vezes uma “perda de tempo” em trâmites”.

Mas para ela, se tudo correr bem (leia-se, dentro do planejamento) o prédio deve ficar pronto, ou começar a ser utilizado – mesmo que não completamente finalizado -, no segundo semestre deste ano. E todos os cursos do Centro de Artes serão beneficiados, o que responde também ao questionamento de quatro alunos do 2° período de Música, Rafael Barbosa, Jocimar Costa, Arthur Travaglia e Nilson Bonfim, que reclamam da falta de estrutura do curso que não tem sequer um laboratório de gravação de áudio.

Cristina Engel ressaltou que busca fazer uma gestão baseado em um planejamento estratégico, ainda a ser realizado. “O planejamento é algo que independe da direção e dos rumos que a pessoa assuma. E esse planejamento cria as diretrizes do quem somos nós, o que estamos querendo e para onde estamos indo”.

Apesar do início conturbado, Cristina é otimista quanto ao futuro, “eu acho que a partir do ano que vem, de 2009, nós começaremos a ter grandes transformações no Centro de Artes”.


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